Instituto Hidrográfico deteta ondas de calor marinhas ao largo de Faro
A boia de Faro, que faz parte da rede nacional de monitorização costeira do Instituto Hidrográfico (MONIZEE), regista duas ondas de calor marinhas no Algarve.
O Instituto Hidrográfico identificou duas ondas de calor marinhas registadas pela boia Faro Costeira, com base na monitorização contínua da temperatura da superfície do mar. Os episódios foram detetados através da comparação entre as observações da boia e uma temperatura média de referência, calculada com dados do programa Copernicus para o período 1984-2024. No episódio mais recente, registado no início de julho, a temperatura média diária observada aproximou-se dos 25 °C.
Entre os dias 15 de junho e 9 de julho de 2026, a boia de Faro, que faz parte da rede nacional de monitorização costeira do Instituto Hidrográfico (MONIZEE), registou temperaturas da superfície do mar significativamente superiores à média climatológica calculada para o período 1984–2024. Estes valores indicam a ocorrência de um fenómeno extremo denominado “onda de calor marinha”.
Considera-se uma “onda de calor marinha” se a temperatura diária do mar ultrapassar, durante pelo menos cinco dias consecutivos, um limite estatístico elevado, chamado percentil 90 da temperatura média para aquela região e altura do ano.
As ondas de calor marinhas podem ser categorizadas de acordo com a sua intensidade, tendo em conta o valor máximo atingido durante cada evento. Nos dois episódios observados pela boia Faro Costeira, a primeira onda de calor marinha foi classificada como moderada, tendo atingido um máximo diário de 23,3 °C, cerca de 1,5 °C acima do limiar do percentil 90 para esse dia. A segunda onda de calor marinha, iniciada no começo de julho, atingiu a categoria forte, com um máximo de 24,8 °C, cerca de 2,2 °C acima do percentil 90.
Mais do que um valor isolado de temperatura, uma onda de calor marinha é definida pela persistência de temperaturas anormalmente elevadas para a época do ano. Por esse motivo, a análise combina a temperatura observada pela boia com uma referência climatológica diária e com um limiar sazonal, permitindo distinguir episódios pontuais de aquecimento de eventos persistentes.
No caso agora identificado ao largo de Faro, para além das médias diárias que sustentam a deteção das ondas de calor marinhas, os registos observados pela boia em tempo quase real mostram que a temperatura da superfície do mar atingiu um valor máximo de 26,1 °C no período em análise. Este valor ilustra bem a magnitude do aquecimento observado, embora a classificação de onda de calor marinha dependa da persistência do evento e não apenas de um pico isolado de temperatura.
Estes episódios em águas portuguesas ocorrem num contexto europeu de temperaturas da superfície do mar acima do normal. No final de junho de 2026, o programa Copernicus identificou temperaturas da superfície do mar acima dos valores habituais para a época em várias regiões marítimas europeias. Também o Met Office reportou condições de onda de calor marinha moderadas a severas nas águas do noroeste europeu.
A monitorização efetuada pela rede MONIZEE permite acompanhar a evolução da temperatura do mar em tempo quase real e contribui para caracterizar eventos extremos no oceano costeiro português. Esta informação é relevante para a vigilância ambiental, para o conhecimento da variabilidade térmica do oceano e para o apoio a atividades que dependem das condições do Mar.
Mais informação sobre a atividade do Instituto Hidrográfico e sobre a monitorização oceanográfica nacional pode ser consultada em www.hidrografico.pt
Pode acompanhar a evolução da temperatura da superfície do mar em https://geomar.hidrografico.pt/
Galeria de Imagens / Legendas:
- Figura 1: Temperatura diária da superfície do mar registada pela boia Faro Costeira, comparada com a temperatura média de referência calculada para o período 1984-2024 e com o limiar do percentil 90. As áreas sombreadas assinalam os períodos classificados como onda de calor marinha. A cor representa a categoria máxima atingida durante cada evento.
- Figura 2: Registos em tempo-real da temperatura da superfície do mar obtidos pela boia Faro Costeira (CSA82-D).
