Navios

As unidades navais do Agrupamento de Navios Hidrográficos (ANH) têm como missão assegurar, no âmbito da actuação específica da Marinha Portuguesa (MP), as actividades relacionadas com as ciências e técnicas do mar, tendo em vista a sua aplicação militar, bem como contribuir para o desenvolvimento do país nas áreas científica e de defesa do ambiente marinho.

O Agrupamento de Navios Hidrográficos compreende atualmente quatro navios hidrográficos, de duas classes:

Classe “D. Carlos I”:

Classe “Andrómeda”:

 - NRP “D. Carlos I” - NRP “Andrómeda”
 - NRP “Almirante Gago Coutinho” - NRP “Auriga”

 

Classe “D. Carlos I”

A classe “D. Carlos I” é constituída pelos navios de maior porte, de capacidade oceânica. Desta classe fazem parte dois navios de uma categoria designada por “T-AGOS”, quando ao serviço da Marinha de Guerra dos Estados Unidos da América.

Os T-AGOS são navios de vigilância e detecção submarina. Durante a “guerra fria” tinham por tarefa a vigilância da frota submarina soviética, efectuando missões de longa duração em áreas oceânicas de interesse estratégico, localizadas nas rotas dos submarinos soviéticos. Estes navios eram operados por uma guarnição de 21 elementos e embarcavam pessoal civil para operar os sistemas de detecção submarina, utilizando um sistema com sensores passivos rebocados designado por “Surveillance Towed Array System” (SURTASS).

Os NRP “D. Carlos I” (ex-USNS “Audacious”) e NRP “Almirante Gago Coutinho” (ex-USNS “Assurance”) foram construídos nos Estados Unidos da América pela “Tacoma Boat Company”, tendo sido lançados à água em Janeiro de 1989 e Janeiro de 1985, respectivamente. Com o fim da “guerra fria”, a Marinha Americana resolveu ceder alguns navios T-AGOS a instituições civis e a nações aliadas. Portugal foi uma dessas nações, tendo recebido o NRP “D. Carlos I” em Fevereiro de 1997 e o NRP “Almirante Gago Coutinho” em Setembro de 1999.

Após a chegada a Portugal, o NRP “D. Carlos I” foi adaptado para o desempenho das funções de navio hidro-oceanográfico pelo Arsenal do Alfeite, tendo posteriormente efectuado diversas missões no âmbito da hidrografia e da oceanografia. Em Outubro de 2001, entrou no Arsenal do Alfeite para efectuar os trabalhos correspondentes à 2ª fase da conversão a navio hidro-oceanográfico, incluindo a instalação de um Sistema Sondador Multifeixe (SSMF), um perfilador acústico de correntes (ADCP) de casco, guinchos e aparelhos de força (incluindo dois novos pórticos), equipamentos de navegação, um CTD ondulante e uma embarcação de sondagem.

Entre Maio de 2004 e Novembro de 2008, o NRP “D. Carlos I” executou diversas missões de carácter científico em águas nacionais e internacionais adjacentes. Destacam-se os levantamentos hidrográficos para a extensão da plataforma continental, a execução de campanhas oceanográficas para o estudo do canhão da Nazaré, levantamentos geofísicos para caracterização do fundo e do subsolo marinho e o apoio ambiental no âmbito do apoio a exercícios navais.

Desde Novembro de 2008, o NRP “D. Carlos I” encontra-se no Arsenal do Alfeite a fim de efectuar diversas acções de manutenção e alterações que incluem a instalação de um novo pórtico e um rearranjo da tolda.

O NRP “Almirante Gago Coutinho”, após a chegada a Portugal, foi convertido, entre Fevereiro de 2005 e Maio de 2007, em navio hidro-oceanográfico, o que incluiu a instalação de dois Sistemas Sondadores Multifeixe (um de grandes fundos e outro de pequenos e médios fundos), um sistema sondador de feixe simples, um perfilador acústico de correntes (ADCP) e um Sub-Bottom Profiler (SBP).

Desde Maio de 2007, com a actual configuração, o NRP “Almirante Gago Coutinho” realizou diversas missões, das quais se destacam as de apoio ao projecto de extensão da plataforma continental (hidrografia e operação de ROV), o apoio ao projecto oceanográfico internacional Hermione e também diversos levantamentos hidrográficos realizados nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Ambos os navios, da classe “D. Carlos I” têm levado a cabo um esforço assinalável em prol do conhecimento hidrográfico e oceanográfico das águas de interesse nacional, sublinhando-se o facto de, desde 2004, terem coberto com o sistema sondador multifeixe uma área da ordem dos 1 800 000 km2, o que perfaz aproximadamente 20 vezes a área terrestre nacional.

 

 

 

Classe Andrómeda

Os navios desta classe foram projectados e construídos nos estaleiros do Arsenal do Alfeite. Fazem parte desta classe o NRP “Andrómeda” e o NRP “Auriga”, tendo sido lançados à água em Dezembro de 1985 e Maio de 1987, respectivamente.

O seu projecto resultou da introdução de requisitos operacionais definidos pela Marinha, em particular, pelo Instituto Hidrográfico, obedecendo a critérios de custo/eficácia. A sua construção é inteiramente soldada, sendo a estrutura e os isolamentos especialmente cuidados no que respeita a insonorização e amortecimentos de vibrações.

Estes navios foram concebidos para actividades hidrográficas e oceanográficas, em estuários e zonas costeiras, e as suas áreas de operação têm incidido essencialmente sobre as águas costeiras de Portugal Continental e do Arquipélago da Madeira. Têm cumprido com sucesso uma grande diversidade de missões, demonstrando uma elevada versatilidade. Das missões efectuadas destacam-se:

  • Levantamentos hidrográficos com feixe simples e sonar lateral;
  • Fundeamento e recolha de amarrações oceanográficas;
  • Operação de perfiladores de sedimentos;
  • Fundeamento e posicionamento de bóias ondógrafo;
  • Operação com ROV (acrónimo em inglês: Remote Operated Vehicle);
  • Levantamentos por métodos geofísicos com equipamentos de sísmica ligeira;
  • Recolha de amostras biológicas.


Meios navais
Meios Navais
NRP D. Carlos I
NRP Gago Coutinho
NRP Andrómeda
NRP Auriga
 2018-05-29   161 / 161 / 6559;