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Sabia que… ondas oceânicas de superfície

As ondas oceânicas de superfície são formadas e crescem por ação da força do vento sobre a superfície do oceano.

De facto, as ondas do mar constituem um fenómeno de interação da atmosfera sobre o oceano, verificando-se a transferência de energia eólica para a superfície do oceano, processo que é ilustrado na figura à esquerda.

 

   



As ondas variam desde pequenas tremulações na superfície do mar até grandes massas de água e propagam-se numa sucessão de cristas (elevações) e cavas (depressões), conforme a figura que se segue.

Figura: Perfil vertical de duas ondas oceânicas idealizadas sucessivas, mostrando as suas dimensões lineares e forma sinusoidal (teoria linear das ondas de superfície).

Em que:

  • Comprimento de onda (L) - distância entre duas cristas (ou duas cavas) consecutivas; a grandeza k=2/L é o número de onda e representa o número de ondas por unidade de comprimento.
  • Altura da onda (H) - distância vertical entre uma crista e uma cava.
  • Amplitude da onda (A=H/2) - máximo afastamento, durante a oscilação, em relação à posição de equilíbrio.
  • Declividade da onda (H/L) - razão entre a altura e o comprimento de onda; para declividades acima de 1/7, a onda torna-se instável e pode rebentar.

Retenha, também, que a dimensão das ondas depende de três fatores:

  • 1. Da intensidade do vento (velocidade).
  • 2. Do intervalo de tempo durante o qual o vento sopra.
  • 3. Do comprimento da massa de água afetada pela ação do vento sem obstruções (distância de coleta ou na terminologia inglesa fetch).

Quando o fundo do mar se encontra a grande profundidade, a propagação da onda à superfície é praticamente constante, mas à medida que a profundidade diminui (junto à orla costeira), a velocidade de propagação diminui, o comprimento de onda diminui e a altura da onda aumenta. Quando a velocidade na crista da onda é maior do que na cava, a onda colapsa. Veja a ilustração deste processo na imagem seguinte.

 

Figura: Processo de rebentação das ondas. (In http://revistageo.uol.com.br/cultura-expedicoes/16/artigo180354-3.asp)

Em geral, consideram-se dois tipos de ondas:

  • As vagas (na terminologia em inglês designadas como windwaves ou windsea), que são ondas geradas por ventos locais, desordenadas e de pequena amplitude.
  • A ondulação (em inglês swell), que são ondas que se propagaram para fora da zona de geração (na ordem dos milhares de quilómetros), de maior amplitude e com uma forma mais regular.

Mas, será o vento o único responsável pela geração de ondas no mar? Não, as ondas no mar também podem surgir devido a fenómenos sísmicos (movimento das placas tectónicas) e/ou vulcânicos, por desmoronamento e/ou deslocamento de grandes volumes de gelo e/ou terra (avalanches), bem como devido à queda de meteoritos. Nestes casos, geram-se, não raras vezes, ondas gigantes – designadas ondas tsunâmicas ou maremotos –, com manifesto poder destrutivo quando incidem no litoral.

 

Em Portugal Continental o último fenómeno tsunâmico de que há registo ocorreu a 01 de novembro de 1755, com consequências devastadoras para a cidade de Lisboa e trágicas para os seus habitantes.