Até ao último quartel do séc. XIX eram utilizados os navios militares nas actividades hidrográficas. Contudo, a dupla exigência do seu emprego era, muitas vezes incompatível. Em 1895 deram-se os primeiros passos para ultrapassar este problema, atribuindo navios, em exclusividade, à realização dos levantamentos.
O «Tavira» foi utilizado com esse intuito nas costas de Angola, apesar da falta de instalações convenientes para a realização dos trabalhos hidrográficos.
Quando foi rendido, outro navio, o Vouga», sofreu algumas alterações em Lisboa, de forma a cumprir as missões hidrográficas.
Ainda assim provou-se, na prática, que essas alterações eram insuficientes. Chegou-se igualmente à conclusão que um só navio não bastava para a realização dos imensos trabalhos hidrográficos na metrópole e nas colónias.
Estipulou-se serem necessários dois navios hidrográficos: um para o Atlântico e outro para o Índico, Mar da China e Pacífico. Estes navios deviam ter as seguintes características:
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Casco de aço, forrado a madeira e cobre e compartimentagem estanque.
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Deslocamento de 600 toneladas e máxima imersão de 12 pés (3,7 metros).
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Velocidade de 12 a 13 nós / Autonomia de 3000 milhas a 8 nós.
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Aparelho de lugre-escuna.
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Armamento composto de algumas peças de tiro rápido.
Seria ainda necessário: instalações para a guarnição e mais quatro oficiais hidrógrafos, um paiol para os equipamentos hidrográficos, uma câmara envidraçada para trabalhos de gabinete, aparelhos para prumar a grandes profundidades, um bom projector, material de navegação e hidrografia e dois escaleres a vapor ou a nafta (embarcações de sondagem).
A partir destes requisitos iniciais, a Marinha passou então a armar outros navios hidrográficos e Oceanográficos.
Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.