N.R.P. Salvador Correia [Terceiro] (1961-1967)

N.R.P. Salvador Correia [TERCEIRO] (1961-1967)
N.R.P. Salvador Correia [TERCEIRO]

Entre 1948 e 1961 serviu como navio hidrográfico, com o nome «Baldaque da Silva».

Posteriormente executou trabalhos no Continente como navio oceanográfico.

 

 

 

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Construído em 1942 nos estaleiros Goole S. B. & Repair, na Escócia, para a Marinha do Reino Unido com o nome de HMS Ruskholm, foi adquirido em 1948 pelo Governo Português e adaptado a navio oceanográfico destinado ao estudo das pescas.

Foi batizado de Baldaque da Silva em homenagem ao Capitão de mar e guerra António Artur Baldaque da Silva, personalidade que se distinguiu pelos estudos que realizou no âmbito da geologia marinha, investigação das pescas, trabalhos portuários, hidrografia e oceanografia, tendo publicado diversos trabalhos científicos como o “Estudo histórico-hidrográfico sobre a barra e o porto de Lisboa” e o primeiro tomo do “Roteiro marítimo da costa ocidental e meridional de Portugal”.

Adquirido conjuntamente com o Salvador Correia II, possuía as mesmas características deste navio, a seguir indicadas, e pertencia à classe com o seu nome.

Deslocamento máximo..............................................780 toneladas

Comprimento (fora a fora) .......................................45,57 metros

Boca..............................................................................8,5 “

Calado máximo .........................................................4,57 “

Velocidade ..................................................................9,5 nós

Propulsionado por uma máquina de tríplice expansão com uma potência de 850 cavalos, a sua guarnição inicial era de 36 homens. Em 4 de novembro de 1948, foi constituída a Missão de Estudos de Pesca da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais que, três anos mais tarde, passou a denominar-se Missão de Estudos das Pescas de Angola, a qual foi então dotada com o N.O. Baldaque da Silva para apoio às suas actividades. Entretanto, em 1950, foi criado o Instituto de Biologia Marítima, entidade que centralizou as suas investigações oceanográficas no domínio das pescas.

Em 1951, o N.O. Baldaque da Silva deu apoio à campanha que a Missão de Estudos de Pescas de Angola realizou sob a direção técnica do biólogo alemão Wilhelm Nümann e que se prolongou até 1953. Noticiava a revista “Anais da Marinha”, na sua edição de setembro de 1950: Em breve, deverá seguir para a costa de Angola o navio oceanográfico e de estudos da pesca “Baldaque da Silva” que ali vai proceder a trabalhos científicos, promovendo estudos de natureza oceanográfica e biológica dos quais se possam tirar conclusões práticas que beneficiem a pesca. Este barco, adquirido recentemente pelo Ministério das Colónias e tripulado por pessoal da Marinha de Guerra, leva a bordo um grupo de cientistas e mestres de pesca que acompanham uma moderna aparelhagem destinada aos respectivos estudos, além de um equipamento adequado à prática das pescas.

Em 1956, o Ministério da Marinha cedeu o navio à Missão de Biologia Marítima da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar, tendo servido até 1961 na Missão de Estudos de Pesca em Angola e Cabo Verde. Em 1957, realizou uma campanha oceanográfica em Angola, tendo os resultados destas campanhas sido publicados pelo Centro de Biologia Piscatória da Junta de Investigações do Ultramar e estado na origem das primeiras cartas da pesca de arrasto da costa de Angola. Prestou ainda apoio a outras campanhas idênticas naquele território e também em Cabo Verde, onde participou em três integradas nos trabalhos da Missão de Biologia Marítima da Junta de Investigações do Ultramar, sob a orientação dos biólogos Herculano Vilela e Pedro Guerreiro da Franca.

Em 22 de setembro de 1960, foi criado o Instituto Hidrográfico e, no ano seguinte, o N.O. Baldaque da Silva classificado como navio hidrográfico e rebatizado Salvador Correia, tendo sido o terceiro a ostentar o nome daquele Almirante dos Mares do Sul que, em meados do século XVII, reconquistou os territórios de Angola e São Tomé e Príncipe ocupados pelos holandeses. Também em 1961 o N.H. Salvador Correia II alterou o seu nome para Baldaque da Silva. Tratou-se na realidade de uma permuta de nome entre os dois navios. A confusão que daí resultou levou a que os próprios marinheiros passassem a denominá- -los Baldaque Correia e Salvador da Silva.

Em 1961, foi constituída a Missão de Oceanografia Física, tendo o N.H. Salvador Correia sido-lhe atribuído, continuando no entanto a prestar em simultâneo apoio às actividades desenvolvidas pelo Instituto de Biologia Marítima e pelo Centro de Biologia Piscatória da Junta de Investigações do Ultramar. Nesse ano, efetuou diversos cruzeiros e, em 1963, encontrava-se em Angola a prestar apoio à investigação das pescas.

A este propósito, conta o Capitão de mar e guerra José Parreira, à altura Diretor do Instituto Hidrográfico, nas suas “Notas sobre o Instituto Hidrográfico – 1963”, o seguinte: “A Missão de Oceanografia Física está presentemente em Angola a realizar o programa de trabalhos determinado por este Instituto, de acordo com o Centro de Biologia Piscatória, e estava previsto o seu regresso a Lisboa, no navio, em meados de Dezembro próximo. Sucede, porém, que em princípios de Outubro comunicou a Junta de Investigações do Ultramar (Processo P.26.01-1) que, por despacho de Sua Exª o Subsecretário de Estado do Fomento Ultramarino, tinha sido mandada incluir a dotação de 1.700.000$00 no II Plano de Fomento para 1964, destinados a encargos do N.H. “Salvador Correia” em Angola. Nestas circunstâncias, talvez seja mais conveniente ficar em Angola o N.H. “Salvador Correia”, até final da próxima campanha, assunto que tem que ser posto à consideração de Sua Exª o Ministro da Marinha.”

Entre 1964 e 1969, o N.H. Salvador Correia participou em diversos cruzeiros realizados ao largo dos Açores para investigação das condições de propagação acústica submarina no âmbito da campanha MILOC (Military Oceanography), determinada pelo Grupo de Oceanografia Militar da NATO. No ano seguinte, foi integrado na campanha oceanográfica “Mediterrâneo Outflow” realizada entre Huelva e o Cabo de S. Vicente, destinada a estudar o grau de penetração da água do Mediterrâneo no Oceano Atlântico. Em 1966, foi ainda a bordo que se efetuaram os cruzeiros MALAC, junto ao Cabo de Santa Maria, destinados a apoiar a captura do atum.

O N.H. Salvador Correia foi abatido ao Efetivo dos Navios da Armada em 27 de março de 1967 e substituído, nas suas funções, pelo antigo draga-minas S. Jorge. Pese embora a sua classificação como “navio hidrográfico”, o Salvador Correia prestou sempre apoio às atividades oceanográficas para as quais estava destinado, desde que, em 1948, foi adquirido pelo Governo Português.

Fonte: Revista da Armada, n.º 465, Julho 2012.