N.R.P. Salvador Correia [Segundo] (A 522) (1953-1961)

N.R.P. Salvador Correia [SEGUNDO] (A 522) (1953-1961)
N.R.P. Salvador Correia [SEGUNDO] (A 522)

Construído em Inglaterra em 1940, esteve ao serviço da Armada Britânica com o nome «Saltarelo». Na Marinha Portuguesa serviu como patrulha, no período de 1948 a 1954. Passou então a navio hidrográfico com um deslocamento de 704 toneladas e uma guarnição de 38 homens.

Esteve ao serviço da Missão Hidrográfica de Angola e S. Tomé, entre 1954 e 1955, e na Brigada Hidrográfica Independente do Continente, entre 1955 e 1961. Entretanto, em 1956, foi reclassificado como caça-minas e, em 1959, recuperou o estatuto de navio hidrográfico. Dois anos mais tarde foi rebaptizado como «Balda que da Silva» e deixaria de navegar.

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Construído em 1942 nos estaleiros Goole S. B. & Repair, na Escócia, para a Marinha do Reino Unido, com o nome de HMS Saltarelo, foi adquirido pelo Governo Português em 1948 e batizado de Salvador Correia.

O primeiro navio Salvador Correia tinha sido um transporte que inicialmente cumpriu missões em Angola e na Guiné e, a partir de 1929, abatido ao Efectivo dos Navios da Armada, foi entregue ao Governo de Angola, onde serviu na Missão Hidrográfica do Zaire. Ainda em 1942, foi comprado o navio oceanográfico Baldaque da Silva, que apresentava idênticas características, tendo o Salvador Correia dado o nome à classe.

O navio possuía as seguintes características:

Deslocamento máximo..........................780 toneladas

Comprimento (fora a fora) ..................45,57 metros

Boca..........................................................8,5 “

Calado máximo .....................................4,57 “

Velocidade ..............................................9,5 nós

Propulsionado por uma máquina de tríplice expansão com uma potência de 850 cavalos, a sua guarnição inicial era de 36 homens. Classificado como navio-patrulha, em Agosto de 1948, rumou para Angola onde foi incorporado na respetiva Marinha Privativa, tendo ali prestado serviço até 3 de novembro de 1953, data em que abatido ao efetivo daquela Marinha passou ao serviço exclusivo da Armada. Convertido em navio oceanográfico e mantendo a mesma denominação foi, em 1954, atribuído à Missão Hidrográfica de Angola e S. Tomé, cuja área de intervenção tinha, no ano anterior, passado a incluir as águas de S. Tomé.

Coube ao N.O. Salvador Correia, entre 1954 e 1955, prestar apoio ao trabalho da referida Missão Hidrográfica no estudo que efetuou relativamente ao regime fisiográfico e hidrográfico das baías de Luanda e do Lobito que possibilitaram as obras de defesa das restingas e a localização das instalações petrolíferas do porto de Luanda e os estudos do projeto de balizagem luminosa do rio Zaire e os topo-hidrográficos da baía dos Tigres. Durante este período, a Missão Hidrográfica de Angola e S. Tomé passou a contar com o apoio simultâneo do N.H. Carvalho Araújo, o primeiro com esta denominação, a fim de intensificar os estudos com vista à navegabilidade dos rios Cubango, Luando e Quanza.

Refira-se que os estudos empreendidos no rio Cubango incluíram o levantamento hidrográfico de 600 km navegáveis, iniciando assim o desbravar de um vasto território até então apelidado de “terras do fim do mundo”, o que veio a dar lugar, em 22 de abril de 1960, à inauguração das carreiras de comboios fluviais no Cubango, a qual teve grande repercussão na comunicação social. Na ocasião, transcreveu o jornal “O Comércio”, de 28 de abril, as seguintes palavras do Comandante Luciano Bastos: A Missão Hidrográfica de Angola e S. Tomé acaba de entregar à D.P. dos Serviços de Marinha de Angola a Delegação Fluvial do Cubango e a direção e exploração das carreiras de navegação do Cubango. Com este acto dá a M.H. por concluído um serviço que lhe foi determinado por despacho de 14-1-956 do sr. Subsecretário de Estado do Ultramar, engº Carlos Abecassis.

Conforme então mencionava em título o referido jornal: A mais de mil quilómetros do mar, como remate de trabalhos de grande envergadura estão abertos, agora, novos caminhos para o maior desenvolvimento de uma vasta região do sudeste da nossa província com superfície maior que a da Metrópole.

Entretanto, em 1958, N.O. Salvador Correia foi atribuído à Brigada Hidrográfica do Continente, facto que trouxe uma melhoria das capacidades de trabalho desta equipa que mais tarde veio a conhecer um novo e importante impulso, não só com a criação do Instituto Hidrográfico, ao ser elevada à categoria de Missão Hidrográfica como também apetrechada de modernos e mais eficazes equipamentos eletrónicos como o Raydist, que possibilitavam determinar com rigor a posição em trabalhos de sondagem hidrográfica.

Apesar de, desde 1954, ter sido utilizado, exclusivamente, em trabalhos hidrográficos, só em abril de 1959 foi classificado como navio hidrográfico, assim permanecendo até 1961, quando passou a chamar-se Baldaque da Silva, mas nunca mais navegou. Foi abatido ao Efetivo dos Navios da Armada em 12 de maio de 1961.

Fonte: Revista da Armada, n.º 464, Junho 2012.