N.R.P. Pedro Nunes (A 528) (1956-1977)

N.R.P. Pedro Nunes (A 528) (1956-1977)
N.R.P. Pedro Nunes (A 528)

Foi construído em Lisboa em 1934. Depois de servir como aviso de 2.ª classe durante vinte e um anos, foi reclassificado como navio hidrográfico, em 1956.

Passou a estar ao serviço da Missão Geo-hidrográfica da Guiné. Tinha um deslocamento de 1197 toneladas e uma guarnição de 105 homens.

 

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

O navio Pedro Nunes, construído no Arsenal da Marinha, em Lisboa, foi lançado à água em 1934 e no ano seguinte aumentado ao Efetivo dos Navios da Armada como aviso de 2ª classe. Ostentava na amurada a inscrição A 258 e deu o nome à classe da qual também fez parte o NH João de Lisboa.

A denominação “Pedro Nunes” evoca o eminente cientista e matemático que viveu no século XVI e a quem se deve a resolução de problemas matemáticos relacionados com a cartografia, o “Tratado em Defensão da Carta de Marear” e a invenção do nónio, que veio reduzir notavelmente a margem de erro no planeamento da navegação marítima ao possibilitar a realização de medições mais rigorosas aos minutos do grau.

O navio apresentava as seguintes características:

Deslocamento máximo...........................1017 toneladas

Comprimento (fora a fora)....................70,5 metros

Boca...........................................................10 “

Calado máximo .......................................3,1 “

Velocidade................................................16,5 nós

Possuía duas máquinas diesel MAN de 2.400 cavalos e tinha uma guarnição de 112 homens.

Enquanto aviso de 2ª classe efetuou missões à Madeira, aos Açores, a Moçambique e realizou dois períplos de África. Durante a II Guerra Mundial, em 22 de julho de 1942, recolheu 24 sobreviventes do paquete inglês Avila Star, ao largo dos Açores e a 31 de agosto do mesmo ano recuperou náufragos do vapor inglês Clan Mac Whirter, a oeste da ilha da Madeira, ambos os navios tinham sido torpeados por submarinos alemães. Manteve-se em missão de soberania em Cabo Verde até abril de 1943. Cumpriu depois diversas comissões na Índia e em Macau.

Em 1956, após ter sido equipado com sondadores sonoros e transdutores para obtenção de informação relativa à sonda vertical e lateral, foi classificado como navio hidrográfico. Passou então a prestar serviço na Guiné, rendendo o NH Mandovi, onde deu apoio àrespetiva Missão Geo-hidrográfica, participando nas campanhas hidrográficas anuais que possibilitaram uma excelente cobertura cartográfica do território. Em 1963 foi equipado com o novo sistema de posicionamento Raydist.

Entre os trabalhos em que interveio, salientam-se os seguintes levantamentos hidrográficos: do arquipélagodos Bijagós; do canal do Geba entre Porto Gole e a confluência dos rios Geba e Corubal, dando origem à carta hidrográfica 217; do Canal de Orango, constituindo a carta 219 e dos portos de Bissau, Bambadinca e Xime.

De referir igualmente a atualização da barras dos rios Cacheu, Cumbijã e Cacine, incluindo os canais de Pedro de Cintra, Álvaro Fernandes e passagens dos Porcos, do Caravelão e do Galeão e a construção da marca de navegação da ponta Arcumbe, na ilha de Orango.

Encontrando-se os trabalhos da Missão Geo-hidrográfica da Guiné em estado bastante avançado, foi o navio, a partir de 1965, estender a sua ação a Cabo Verde, já que a Missão Hidrográfica deste arquipélago tinha sido extinta no ano anterior.

A propósito, referiu o Diretor do Instituto Hidrográfico,CMG José Parreira, na suas “Notas sobre o Instituto Hidrográfico(1961-1962)”, o seguinte: “A Missão Hidrográfica de Cabo Verde não realizou a campanha de 1962 por motivo do N.H. “Comandante Almeida Carvalho” se encontrar em fabricos desde 16.IV.962. A Missão Geoidrográfica da Guiné fez, em 1961, a campanha completa e em 1962 foi reduzida a 1 mês por não haver verba disponível para a completar. Os trabalhos hidrográficos já realizados na Guiné abrangem a quase totalidade das suas costas e rios navegáveis, mas a parte que falta é de difícil efectivação, enquanto a Missão não dispuser de aparelhagem electrónica de referenciação, pelacarência de pontos de apoio naquela zona para a sondagem pelos processos clássicos. Uma vez terminados os levantamentos hidrográficos naGuiné, já que os geográficos estão pràticamente concluídos, será ocasião de se pensar na organização de uma missão comum a Cabo Verde e à Guiné”.

Os trabalhos de hidrografia em Cabo Verde passaram então a ser efetuados pela Missão Geo-hidrográfica da Guiné que, contudo, manteve a sua designação.

Em Cabo Verde, deu apoio aos levantamentos hidrográficos das ilhas do Sal e da Boavista, levantamentos topo-hidrográficos dos estaleiros navais do Mindelo e zona adjacente e da baía da Mordeira, levantamentode Vale de Cavaleiros e ainda na efetuação de fiadas de sondagem oceânica entre Cabo Verde e a Guiné. Por seu turno, na Guiné, efetuou, durante longos períodos, levantamentos hidrográficos de natureza operacional, tendo intervido, principalmente a partir de 1972, em operações contra guerrilha utilizando a sua peça de artilharia de 120mm.

A atividade da Missão Geo-hidrográfica da Guiné cessou com o reconhecimento da independência da Guiné e de Cabo Verde, tendo o NH Pedro Nunes regressado à Metrópole para, em 10 de agosto de 1977, ser abatidoao Efetivo dos Navios da Armada.

Fonte: Revista da Armada, n.º 466, Agosto 2012.