N.R.P. Pebane (1923-1925)

N.R.P. Pebane (1923-1925)
N.R.P. Pebane

Pelo Decreto n.º 262 de 5 de Agosto de 1922, este navio de transporte passou a navio hidrográfico.

Entre 1923 e 1925 foi utilizado numa missão oceanográfica na costa de Moçambique, comandado pelo capitão-tenente Oliveira Moura Brás, realizando duas campanhas: a primeira, de princípios de Agosto de 1923 a fins de Setembro de 1924, e a segunda, de 2 de Junho de 1925 a 6 de Agosto de 1925.

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Construído em 1902 nos estaleiros Schiffswerft J & S de Hamburgo, era o “Kadett” navio mercante alemão que se encontrava surto em Moçambique quando em 1916 foi requisitado pelo Governo Português e recebeu o nome de “Pebane”. Esta denominação de “Pebane” remete-nos para a vila moçambicana do mesmo nome, a norte da cidade de Quelimane, banhada pelo Oceano Índico e que foi um importante porto de escala para a Marinha de Comércio. Utilizado, inicialmente, como transporte da Marinha Colonial serviu de navio hidrográfico de 1923 a 1925.

Possuía as seguintes características:

Comprimento.....................................................................35 metros

Boca .........................................................................................6, 96 “

Calado máximo..................................................................10 “

Velocidade ...........................................................................7 nós

Dispunha de uma máquina “Compound” de dois cilindros com uma potência de 380 cavalos. Em 1921, a fim de ser adaptado ao serviço hidrográfico, teve fabricos em Durban e recebeu equipamento especial que incluiu guincho e turcos de pesca,dragas pequenas, um prumo para grandes profundidades e vários aparelhos de medida de temperatura, pressão e humidade. Igualmente foi adaptado um pequeno compartimento para servir de laboratório. A guarnição era de 37 homens (1 oficial, 1 assistente biologista, 4 sargentos e 31 praças, das quais 28 indígenas).

Os trabalhos foram, maioritariamente, realizados na baia de Lourenço Marques e junto da costa entre a barra do Limpopo e a Ponta do Ouro, por dentro do baixo Danae e em alguns pontos da costa norte com destaque para Moçambique e os bancos de Bazaruto. Habitualmente eram efectuadas sondas com determinados intervalos e distâncias da costa, o reconhecimento do fundo que compreendia a observação e o registo da sua natureza, de que se conservavam amostras e a obtenção da temperatura da água à superfície e no fundo. Em fundos de rocha ou de coral eram utilizadas as dragas para a recolha das amostras. Por arrasto recolhia-se pescado e plâncton que, posteriormente, eram tratados no museu em Lourenço Marques.

Em 1930 foi abatido ao efectivo da Marinha Colonial o vapor “Pebane”.

Fonte: Revista da Armada, n.º 457, Novembro 2011.