N.R.P. Ibo (1943-1953)

N.R.P. Ibo (1943-1953)
N.R.P. Ibo

Construída em 1911, em Lisboa, esta antiga canhoneira (qualidade em que serviu trinta anos), chegou a intervir aquando da «Revolta da Madeira», em 1931.

Em 1943 passou a navio hidrográfico. Deslocava 500 toneladas e tinha uma guarnição de 38 homens. Esteve ao serviço da Brigada Hidrográfica Independente da Costa de Portugal.

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Era uma antiga canhoneira da classe “Beira” construída no Arsenal da Marinha em Lisboa, lançada à água em 1910 e em 15 de Fevereiro de 1913 aumentada ao Efetivo dos Navios da Armada.

Possuía as seguintes características:

Deslocamento máximo............................................... 492 toneladas

Comprimento (fora a fora)........................................ 44,80 metros

Boca............................................................................... 8,30 “

Calado........................................................................... 2,10 “

Velocidade.................................................................... 13 nós

Dispunha de duas máquinas de tríplice expansão com a potência de 700 cavalos e duas caldeiras cilíndricas Yarrow, utilizando o carvão como combustível. Estava armada com duas peças Armstrong de 75 mm, duas de 47 mm e duas metralhadoras Nordenfelt.

A sua lotação inicial era de 59 homens (4 oficiais, 6 sargentos e 49 praças).

Enquanto canhoneira, de salientar que o navio, a partir de novembro de 1914, esteve em missão de soberania na costa ocidental africana, especialmente em Cabo Verde, na defesa do Porto Grande de São Vicente, tendo-se encontrado em várias situações de conflito como foi o caso quando, em 4 de dezembro de 1916, juntamente com a canhoneira “Beira,” atacou um submarino alemão que surgira à entrada do porto.

Em abril de 1918 a canhoneira “Ibo” foi transferida para os Açores onde, em 20 de outubro, junto à Ponta do Arnel, na Ilha de São Miguel, recolheu 12 náufragos do caça-minas “Augusto Castilho” que seis dias antes tinha entrado em combate contra um submarino alemão. Regressou em janeiro de 1919 a águas do Continente e a 30 desse mês efetuou tiros de intimidação frente a Vila Praia de Âncora, por ocasião da vigência da “Monarquia do Norte”. De outubro de 1924 a junho do ano seguinte, integrada na Divisão Naval Colonial, realizou o périplo de África. De registar igualmente, em março de 1931, a sua participação na chamada “Revolta da Madeira”, em apoio a ações de desembarque.

Foi classificada como navio hidrográfico em 1943 e, até 1949, passou a estar ao serviço da Brigada Hidrográfica Independente, tendo participado em trabalhos hidrográficos por toda a costa ocidental portuguesa, sendo de destacar, em 1949, os realizados em Alhandra e a jusante da ponte de Vila Franca de Xira, ainda em construção.

Em 20 de fevereiro de 1953 foi abatido o navio hidrográfico “Ibo”, que deu uma importante contribuição para a hidrografia das águas do continente português.

Fonte: Revista da Armada, n.º 460, Fevereiro 2012.