N.R.P. D. João de Castro (1941-1947)

N.R.P. D. João de Castro (1941-1947)
N.R.P. Mandovi

Foi o primeiro navio hidrográfico construído no Arsenal do Alfeite.

Executou missões nos Açores, entre 1941 e 1946, e em Cabo Verde, de 1944 a 1946. Com 1330 toneladas de deslocamento e uma guarnição de 97 homens. 

Perdeu-se, por encalhe, em 1947, na ilha de Santo Antão.

 

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Foi o primeiro navio construído no Arsenal do Alfeite, tendo a cerimónia de colocação simbólica do primeiro rebite sido efetuada no dia da inauguração do novo estaleiro, a 3 de maio de 1939. Propositadamente construído para ser utilizado na hidrografia, foi equipado com sondadores acústicos e outro material necessário à realização de levantamentos hidrográficos, dispondo inclusive de condições para transportar um hidroavião, o que nunca se chegou a verificar.

Aumentado ao Efetivo dos Navios da Armada em fevereiro de 1941, possuía as seguintes características:

Deslocamento máximo....................................1.309 toneladas

Comprimento (fora a fora) .............................66,5 metros

Boca...............................................................9,88 metros

Calado ...........................................................2,80 metros

Velocidade .....................................................13,5 nós

 

Era propulsionado por duas máquinas com a potência de 1.400 cavalos e a sua primeira guarnição constituída por 66 homens.

Inicialmente ao serviço da Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes, efetuou os levantamentos hidrográficos das baías de Angra do Heroísmo e do Faial, que deram origem ao Plano Hidrográfico a escala 1/7.500, a sondagem na área da ilha Graciosa e a sinalização da costa da ilha Terceira e do Faial, incluindo o porto da Horta.

Foi precisamente com o apoio do NH D.João de Castro que se tornou possível a localização de uma plataforma rochosa, com uma profundidade mínima de 14 m, em 38° 13,5' N e 26° 38,6' W, entre as ilhas de S. Miguel e Terceira, a qual veio a ser dado o nome de Banco D. João de Castro. Tratava-se de uma lendária ilha com cerca de cinco quilometros de diâmetro, de configuração circular, que resultou de um sismo ocorrido nos finais de 1720 e que, devido a erosão, foi dada entretanto como desaparecida.

A partir de julho de 1945, ocasião em que foi criada a Missão Hidrográfica de Cabo Verde, o navio deu apoio ao levantamento hidrográfico realizado na area das ilhas de Santo Antão, S. Vicente, Santa Luzia, Boavista e Santiago.

Em 2 de outubro de 1947, encalhou nas costas da ilha de Santo Antão. No dia seguinte, o "Diário Popular" relatava a propósito do acidente: O desastre verificou-se quando o navio procedia a trabalhos da sua especialidade, que na generalidade são muito arriscados. ( ... ) Tudo leva a crer que o "D. Joao de Castro", dada a má situação em que ficou, só com muita felicidade se salvaria. Novas informações recebidas no Ministério da Marinha levam à conciusão de que, infelizmente, o navio- motor "D. Joao de Castro" se encontra perdido, estando a proceder-se ao maior número possível de salvados a bordo. Às 14.15 largou do Tejo, com destino as àguas de Cabo Verde, o contratorpedeiro "Vouga", que segue para o local a fim de prestar a necessária assistência. Confirma-se que não há desastres pessoais ( ... ) .

Efetivamente, apos várias tentativas de desencalhe que se revelaram infrutíferas, o NH João de Castro foi dado como irrecuperável, pelo que, em 18 de outubro de 1947, foi abatido.

Fonte: Revista da Armada, n.º 460, fevereiro 2012.