N.R.P. Comandante Almeida Carvalho (A 527) (1950-1963)

N.R.P. Comandante Almeida Carvalho (A 527) (1950-1963)
N.R.P. Comandante Almeida Carvalho (A 527)

Foi construído no Canadá em 1941.

Tinha, na época, o nome «Fort York», mas quando foi comprado pela Inglaterra, em 1950, passou a chamar-se «Mingan». Nesse mesmo ano foi vendido a Portugal.

Deslocava 876 toneladas e tinha uma guarnição de 85 homens.

Entre 1950 e 1964 executou missões nos Açores e em Cabo Verde. Em 1964 foi classificado como corveta, passando a denominar-se «Cacheu».

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

O N.H. Comandante Almeida Carvalho I foi construído em Vancouver, no Canadá, nos estaleiros North Van Ship Repairs, em 1941, com o nome Fort York. À semelhança do N.H. Almirante Lacerda, também pertencia à classe “Bangor”, tendo sido utilizado pela Marinha Canadiana como lança-minas e, mais tarde, pela Marinha do Reino Unido.

Em 1950, o Governo Português procedeu à sua compra tendo sido adaptado no Arsenal do Alfeite a navio hidrográfico e aumentado ao Efetivo dos Navios da Armada em 26 de setembro de 1950. Tomou então o nome de Comandante Almeida Carvalho em homenagem ao Capitão-de-fragata Ernesto Tavares de Almeida Carvalho a quem se deve, entre outros trabalhos, o levantamento hidrográfico do litoral de Sines e a publicação de diversos estudos sobre a densidade da água do mar e profundidade dos oceanos.

O navio apresentava as seguintes características:

Deslocamento máximo....................................900 toneladas

Comprimento (fora a fora) .............................54,9 metros

Boca....................................................................8,7 “

Calado ...............................................................2,9 “

Velocidade ........................................................16 nós

Propulsionado por duas máquinas alternativas de tríplice expansão com uma potência de 2.400 cavalos, estava armado com uma peça de 76 mm e duas de 20 mm e a sua guarnição era constituída por 89 homens.

Inicialmente deu apoio aos trabalhos hidrográficos realizados nos Açores pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes (MHIA) substituindo nessas funções o N.H. D. João de Castro. Entretanto, em 22 de Setembro de 1960, foi criado o Instituto Hidrográfico que passou a coordenar a atividade das Missões Hidrográficas. No ano seguinte, procedeu-se a um reajustamento no tocante à distribuição geográfica de algumas missões, tendo a MHIA sido extinta. Passou a antiga Brigada Hidrográfica Independente do Continente, entretanto elevada à categoria de Missão com a designação Missão Hidrográfica do Continente e Ilhas Adjacentes (MHCIA), a abranger a área respeitante aos arquipélagos dos Açores e Madeira. Para a realização dos seus trabalhos, contava esta Missão com o apoio do N.H. João de Lisboa.

Em simultâneo, foi criada a Missão Hidrográfica do Arquipélago de Cabo Verde (MHACB), para onde transitou o pessoal que prestava serviço na extinta MHIA, juntamente com o N.H. Comandante Almeida Carvalho I.

A este respeito, refere o então Diretor-geral do Instituto Hidrográfico, Capitão de mar e guerra José Parreira, nas suas “Notas sobre o Instituto Hidrográfico. 1961-1962”, o seguinte: Este novo arranjo, ligando o Continente às Ilhas da Madeira e dos Açores, mais convenientes do que a ligação existente entre aquelas ilhas e Cabo Verde, foi possível, nesta altura, por o Instituto poder dispor de um navio com condições para esse serviço, o que anteriormente não sucedia. A proposta do Instituto, que mereceu a concordância de Sua Exª o Ministro da Marinha, visava ainda o propósito de acelerar os levantamentos no arquipélago de Cabo Verde, onde, das suas 10 ilhas, só quatro têm as suas cartas de costa concluídas, sem atrasar os trabalhos nos Açores, antes pelo contrário, já numa fase em que era possível prever-se que, com mais 2 a 3 campanhas, todas as ilhas ficariam a ter as suas cartas de costa.

Em regra, à semelhança do que se verificava com os navios atribuídos às demais missões hidrográficas nos territórios ultramarinos mais distantes, uma vez que não vinham à Metrópole fora do período de campanha, também o N.H. Comandante Almeida Carvalho I recebia do Instituto Hidrográfico as instruções de carácter técnico as quais eram fornecidas através do Estado-Maior da Armada e de quem eram recebidas instruções especiais para o navio com carácter permanente. Antes do final de cada campanha era fixado o número de oficiais que permanecia no navio, sendo que no período de folga das campanhas, alguns oficiais regressavam à Metrópole para realizar os trabalhos de gabinete, o que criava um ambiente de trabalho sazonal no Instituto Hidrográfico.

Refletindo a intensidade dos trabalhos realizados, o Plano de Actividades para 1962 atribuiu à Missão Hidrográfica do Arquipélago de Cabo Verde a realização de importantes trabalhos como o levantamento hidrográfico do Porto da Furna, na Ilha Brava, para o Plano nº. 275 à escala 1:5000; as sondagens com vista à conclusão da carta nº. 203, das Ilhas do Sal e da Boavista à escala 1:200.000 e a sondagem nas Ilhas de Santiago e do Maio, para a carta nº. 210, à escala de 1:100.000, abrangendo a determinação da linha de costa, correntes, valores da declinação magnética e fundeadouros. Contudo, o N.H. Comandante Almeida Carvalho I não realizou esta campanha por se encontrar em fabricos desde 16 de Abril de 1962.

Com o eclodir da guerra de África, houve a necessidade de dotar a Marinha de navios de pequena dimensão que fossem capazes de operar em águas costeiras e interiores, sobretudo na Guiné. Por essa razão o N.H. Comandante Almeida Carvalho I, que desde 1950 tinha efetuado trabalhos hidrográficos, inicialmente nos Açores e, a partir de 1960, em Cabo Verde, foi classificado, em 1 de junho de 1963, como corveta, passando a denominar-se Cacheu e terminando nessa data as suas missões ao serviço da hidrografia.

Fonte: Revista da Armada, n.º 463, Maio 2012.