N.R.P. Carvalho Araújo [Primeiro] (1937-1947)

N.R.P. Carvalho Araújo [I] (1937-1959)
N.R.P. Carvalho Araújo [PRIMEIRO]

Construído em Inglaterra em 1915, foi um cruzador no período de 1920 a 1932, ano em que foi classificado como aviso de 2.ª classe.

Em 1937 iniciou a sua actividade como navio hidrográfico. Possuía um deslocamento de 1210 toneladas e uma guarnição de 90 homens. Esteve ao serviço da Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes (Madeira em 1937 e Açores nos anos de 1938 a 1939).

Entre 1941 e 1959 esteve ao serviço da Missão Hidrográfica de Angola (depois Missão Hidrográfica de Angola e S. Tomé), nas águas de Angola e de S. Tomé, onde se afundou em 1963.

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Foi construído em 1915 nos Estaleiros Charles Connell & Co. Ltd, em Glasgow, para a Marinha Britânica. Após participar na Grande Guerra foi adquirido, em 1920, pelo Governo Português, classificado de cruzador e baptizado de “Carvalho Araújo”. Em 1932 foi considerado como aviso de 2ª. classe e adaptado a navio hidrográfico em 1937, tendo sido o primeiro deste tipo com aquele nome.

Possuia as seguintes características:

Deslocamento máximo...........................................................1210 toneladas

Comprimento (fora a fora).....................................................78,90 metros

Boca..............................................................................................9,90 “

Calado máximo.………..........................................................3,60 “

Velocidade máxima.................................................................17,25 nós

Dispunha de duas máquinas com a potência de 2.750 cavalos. Tinha uma guarnição de 90 homens.

Durante o segundo semestre de 1937 e o ano seguinte apoiou a Missão Hidrográfica da Ilhas Adjacentes (M.H.I.A.). De acordo com o relatório do Chefe da Missão, de 1936 a 1939 a M.H.I.A. realizou o levantamento hidrográfico completo do arquipélago da Madeira e Ilhas Selvagens o qual compreendeu 12 cartas e planos hidrográficos, exigiu uma navegação de cerca de 10.000 milhas, durante cerca de 3.000 horas, em que se efectuaram 12.000 sondagens em profundidades até 4.000 metros, durante as quais se enrolaram e desenrolaram cerca de 9 milhões de metros de fio de prumo.

A partir de Maio de 1939 e até quase ao fim do ano seguinte, participou nos trabalhos que se realizaram nas ilhas açorianas de S. Miguel e Santa Maria. Em 1941 foi atribuído à Missão Hidrográfica de Angola (M.H.A) e até 1953 deu apoio aos levantamentos hidrográficos desde Lândana até à Baía dos Tigres, trabalhos que originaram quatro cartas gerais, dez costeiras e 30 planos de portos, baías, barras e troços de costa, alguns dos quais implicaram sucessivos levantamentos a fim de se procederem a actualizações. Em 1953 a área atribuída à M.H.A. foi ampliada, passando também a incluir o Arquipélago de S. Tomé e Príncipe, sendo o seu nome alterado para Missão Hidrográfica de Angola e S. Tomé (M.H.A.S.T).

Com propulsão a carvão, o “Carvalho Araújo” começou a apresentar problemas devido à sua idade avançada pelo que, a partir de 1958, submeteu-se anualmente a reparações na Cidade do Cabo. Em virtude de ter deixado de existir carvão em Luanda, ia reabastecer-se na Nigéria. Chegou então a ser aventada a possibilidade de o converter para nafta, mas, devido ao seu mau estado, optou-se por o substituir por outro navio, o que veio a suceder.

Em 1959, o N.H. “Carvalho Araújo” foi abatido ao Efectivo dos Navios da Armada.

Entre os comandantes do navio salienta-se o então Capitão-tenente Luciano Ferreira Bastos que assumiu o comando em 24 de Julho de 1953, tendo desde essa data e até 1960 chefiado a M.H.A.S.T. e a ela voltado no ano seguinte. Considerado um dos mais distintos engenheiros hidrógrafos, foi o autor da proposta de criação do Instituto Hidrográfico, apresentada em 1960 à Superintendência dos Serviços da Armada. Em 2002, num gesto simbólico de profundo significado, o Vice-almirante Luciano Bastos procedeu à entrega ao Instituto Hidrográfico da bandeira, da flâmula e do jaque içados pela última vez no N.H. “Carvalho Araújo”, em 23 de Setembro de 1959.

O navio foi afundado a 13 de Novembro de 1963 ao largo da costa de Angola, com cargas de dinamite e fogo de artilharia, pela fragata “Diogo Gomes”.

Fonte: Revista da Armada, n.º 459, Janeiro 2012.