N.R.P. Beira (1936-1941)

N.R.P. Beira (1936-1941)
N.R.P. Beira

Canhoneira construída em 1910 no Arsenal de Marinha, em Lisboa. Foi adaptado a navio hidrográfico, com um deslocamento de 500 toneladas e uma guarnição de 34 homens. Esteve ao serviço da Missão Hidrográfica de Angola.

 

 

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Construído no Arsenal da Marinha, em Lisboa, foi aumentado ao Efectivo dos Navios da Armada em 30 de Dezembro de 1910 e classificado como canhoneira.

As suas principais características eram as seguintes:

Deslocamento máximo.....................................................500 toneladas

Comprimento (fora a fora)...............................................45 metros

Boca.......................................................................................8,30 “

Calado...................................................................................2,34 “

Velocidade máxima............................................................13 nós

Velocidade de cruzeiro......................................................9 “

Autonomia (a 9 nós)..........................................................3200 milhas

Possuía duas máquinas alternativas de tríplice expansão com 700 cavalos de potência, sendo o carvão o combustível utilizado. Armada com quatro peças de artilharia Hotchkiss, duas de 65 mm e outras duas de 47 mm. A sua guarnição inicial era de 71 homens (4 oficiais, 8 sargentos e 59 praças).

Os primeiros 25 anos de serviço repartiram-se em missões de fiscalização da pesca no Continente, patrulhas nos Açores e ocasionalmente na Madeira, permanências em Cabo Verde e Angola e a participação no “Périplo de África”, em 1924/25, integrada na Divisão Naval Colonial. De salientar a sua notável acção durante a Grande Guerra, na defesa do porto cabo verdeano de São Vicente perante a ameaça submarina alemã.

Em Agosto de 1936, a “Beira” passou a navio hidrográfico e foi destinada à missão hidrográfica de Angola, criada nesse ano, resultado da colaboração tripartida entre os Ministérios da Marinha e das Colónias e o Governo de Angola.

O navio chegado a Luanda em Novembro de 1936, iniciou os seus trabalhos no ano seguinte dando apoio aos trabalhos de hidrografia nos portos de Luanda e Lobito e Baía Farta. Em 1938, nos portos de Mossâmedes, Benguela e Baía dos Elefantes. No ano de 1939, nos portos do Cuío, Porto Amboim e Baía de Santa Maria. Em 1940, na Baía das Luciras e, finalmente, em 1941, nas baías de Baba e de Porto Alexandre. A utilização do navio possibilitou à Missão Hidrográfica de Angola produzir, num curto espaço de tempo, a carta hidrográfica nº. 309, (desde a foz do Rio Cubal da Hanha até ao Cabo de Santa Maria), a carta nº. 310 (desde o Cabo de Santa Maria à Baía de Baba) e ainda os planos hidrográficos das baías de Luanda, Lobito, Benguela, Farta, dos Elefantes, de Santa Maria e de Porto Amboim e dos portos do Cuío e de Mossâmedes. Após cinco campanhas hidrográficas, cujo alcance se revelou da maior importância em termos económicos e também para a soberania portuguesa em Angola, o navio hidrográfico “Beira” foi, em 1 de Setembro de 1941, abatido ao Efectivo dos Navios da Armada.

Fonte: Revista da Armada, n.º 459, Janeiro 2012.