D. Carlos I (1863-1908)

D. Carlos I (1863-1908)
D. Carlos I

Rei de Portugal. Foi um dos portugueses mais cultos do seu tempo e um marinheiro nato. Filho da rainha D. Maria Pia e de D. Luís I, D. Carlos de Bragança possuía várias aptidões que soube brilhantemente exercitar: hábil diplomata, consagrado pintor e reputado naturalista e oceanógrafo, foi igualmente um notável desportista.

Em 1887, como tenente-coronel, foi nomeado presidente da Sub-comissão da Defesa Marítima da barra do Tejo e cidade de Lisboa.

Promovido a coronel, foi no ano de 1889 membro da Comissão Superior de Guerra, pouco antes de ascender ao trono.

Em 28 de Dezembro de 1889 é aclamado Rei de Portugal. Grande impulsionador do estudo científico e sistemático do mar, o seu valor e dedicação contribuíram para lançar as bases da Oceanografia portuguesa.

De 1896 a 1907 empreendeu 12 campanhas oceanográficas nos iates «Amélia». Estas campanhas permitiram iniciar o inventário da fauna e alguns dos biótipos mais característicos da Baía de Cascais, das zonas lodosas da costa e da foz do Tejo e ainda dos vales submarinos do Cabo Espichel. A par destas pesquisas efectuaram-se colheitas de plâncton, foram feitos ensaios com flutuadores para o estudo das correntes de superfície, promoveu-se o inventário metódico das espécies que povoam os mares portugueses e contribuiu-se para o esclarecimento do problema do atum na costa algarvia.

Ao longo das suas campanhas foram efectuadas 290 estações, 339 sondagens, 172 dragagens. Foram lançados 10 covos, 11 aparelhos de linha e 29 vezes o espinhel.

As suas mostras oceanográficas correram mundo em salões internacionais, com os exemplares mais curiosos e raros da nossa fauna marinha, cujo estado de conservação era perfeito, e constituíram um verdadeiro sucesso.

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.