Amélia [II] (1897-1899)

Amélia [II] (1897-1899)
Amélia [SEGUNDO]

Construído em Leith, Escócia, em 1880, foi baptizado «Geraldine», sendo adquirido em 1897 pelo Rei D. Carlos I em troca do «Amélia» (PRIMEIRO) e rebaptizado «Amélia» (SEGUNDO). Construído em ferro, deslocava 301 toneladas, tinha 45 metros, um calado de 3,20 metros e atingia a velocidade de 11 nós. Possuía quatro embarcações, sendo uma a vapor. A sua guarnição era de 20 homens, não incluindo os oficiais e um naturalista. Como o anterior «Amélia» tinha todos os apetrechos necessários para as campanhas oceanográficas e todos os instrumentos para a rápida preparação e conservação de exemplares.

Em 1899 foi trocado pelo «Yacona», terceiro «Amélia».

Fonte: Teixeira da Silva, Reis Arenga, Silva Ribeiro, Santos Serafim, Alburquerque e Silva e Melo e Sousa. “A Marinha na Investigação do Mar. 1800-1999”. Instituto Hidrográfico, Lisboa 2001.

Originalmente denominado Fair Geraldine e depois Giralda este iate foi construído em Leith - Escócia, em 1880, nos estaleiros da Ramage and Fergunson. Tratava-se de um navio em ferro, apresentando as seguintes características:

Deslocamento máximo................................................301 toneladas

Comprimento (fora a fora)...............................................45 metros

Boca ....................................................................................7,10 “

Calado.................................................................................3,20 “

Velocidade........................................................................11 nós

O Iate Real Amélia II Dispondo de instalação eléctrica alimentada por um dínamo, era propulsionado por meio de uma máquina compound de dois cilindros verticais que accionavam um hélice de três pás, com uma potência de 320 HP. Armava com três mastros e gurupés, onde içava três latinos, um redondo à proa e duas velas de proa.

Adquirido pelo Rei D. Carlos em 19 de Abril de 1897, com o propósito de substituir o anterior Amélia foi rebaptizado com o mesmo nome, tendo sido assim o segundo iate Amélia ao serviço da Oceanografia.

À semelhança do seu antecessor, foi inicialmente comandado pelo Capitão-de-fragata Roberto Ivens e após a morte deste oficial, em 28 de Janeiro de 1898, pelo Capitão-tenente D. Fernando Pimentel. Sob a orientação do Rei, o Amélia II prosseguiu as campanhas oceanográficas iniciadas no ano anterior. Para o efeito, recebeu arrastos com redes de vários comprimentos, cabos de linho, covos, chichorros, lança-harpões e outros apetrechos de pesca, garrafas para recolha de amostras, prumos de copo e Thomson, termómetros e outros equipamentos para efectuar dragagens e observações, e ainda diversas armas para recolha de exemplares ornitológicos. A bordo existiam ainda instrumentos para preparação e conservação dos exemplares recolhidos, antes de serem entregues nos laboratórios de Cascais ou do Palácio das Necessidades.

Efectuou três campanhas durante os anos de 1897 e 98. A primeira decorreu de Maio a Setembro, tendo-se realizado na área do Cabo Espichel e Sesimbra. A segunda no mês de Novembro na foz do Rio Sado e nas aproximações do Porto de Setúbal. Estas duas campanhas estão descritas no Diário Náutico do Yacht Amélia-Campanha Oceanográfica Realizada em 1897, obra da autoria do Monarca e que foi publicada pela Marinha em 1978. A terceira e última campanha, no mês de Junho de 1898, localizou-se no sotavento algarvio e teve como objectivo o estudo da pesca do atum.

O Iate Real Amélia IIA propósito das campanhas oceanográficas então realizadas, são esclarecedoras as palavras escritas por D. Carlos: As numerosas investigações oceanographicas, que as nações extrangeiras teem realisado n’estes últimos annos, com tão profícuos resultados, a importância que esta ordem de estudos tem para a industria da pesca, uma das principaes do nosso paiz, e a excepcional variedade das condições bathymetricas, que apresenta o mar que banha as nossas costas, sugeriram-nos no anno findo a ideia de explorar scientificamente o nosso mar, e dar a conhecer, por meio de um estudo regular, não só a fauna do nosso plan’alto continental, mas também a dos abysmos, que, exemplo quase único na Europa, se encontram em certos pontos, a poucas milhas da costa, acrescentando que um dos principaes objectivos da campanha era o emprego de espinheis, nas grande profundidades que se encontram a pequena distância do Cabo Espichel. Este processo verdadeiramente clássico, empregado há muitos annos pelos nossos pescadores para a apnha das lichas, que habitam os grandes fundos e são mesmo d’elles características, vem preencher uma verdadeira lacuna nas investigações zoológicas (…) Convém lembrar a este propósito, que há apenas quarenta annos era geralmente aceite no mundo scientífico, que a vida animal cessava a 500 metros de profundidade, pouco mais ou menos; entretanto os nossos pescadores há muito tinham resolvido o problema, ou pelo menos dilatado muito o limite bathymetrico da vida animal, indo com os seus espinheis apanhar lixas, e pescar acidentalmente esponjas totalmente desconhecidas, até 1.200 metros de profundidade, e foram elles que a dois naturalistas nossos, Barboza do Bocage e Brito Cappelo forneceram o material, para as suas interessantes memórias, sobre os nossos esqualos abyssaes e a Bocage sobre o Hyalonema.

Além destas três campanhas o navio realizou várias Observações Oceanográficas, missões que habitualmente duravam um só dia e incluíam a pesca com o espinhel, de arrasto e ao candeio.

Na qualidade de iate real o Amélia II efectuou diversas viagens ao serviço régio, destacando-se em Outubro de 1897 ao Algarve, com a subida do Rio Guadiana até ao Pomarão e em Julho de 1898 o embarque de D. Carlos para assistir a um exercício de torpedos ao largo de Cascais. Também nesse ano, quando das comemorações do Terceiro Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, foi a bordo que o Rei assistiu às regatas de vela que se realizaram em Cascais, acompanhados de outras individualidades, membros do corpo diplomático e comandantes de navios estrangeiros que na ocasião se encontravam no Rio Tejo.

Em 12 de Abril 1889 o Amélia II fez a sua última saída para o mar, tendo nesse ano sido trocado pelo iate Yacona que viria a ser rebaptizado como Amélia, sendo o terceiro com esse nome apetrechado e dedicado à investigação oceanográfica.

A propósito, o Comandante António Marques Esparteiro na sua grandiosa obra Três Séculos no Mar descreve-nos essa derradeira viagem nos seguintes termos: “Pelas 10 horas da manhã embarcou o rei, a rainha, a condessa de Figueiró, Luís Soveral, conde de Vila Nova de Cerveira, conde de Figueiró, conde de Arnoso, almirante Pinha, José Lobo, Pinto Basto, João Caldeira e D. Fernando de Serpa. Depois do almoço seguiu para Cascais e Boca do Inferno.

Regressou pela barra norte e seguiu até Santa Apolónia e dali a Paço de Arcos.

Pegou na bóia da Junqueira às 5.45 horas p.m.

Fonte: Revista da Armada, n.º 453, Junho 2011.